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sábado, 7 de outubro de 2017

Se os membros do governo tivessem de observar os doentes com dor talvez eles agissem para reduzir a falta de pessoal - SD267

"Se os membros do governo tivessem de observar os doentes com dor talvez eles agissem para reduzir a falta de pessoal."

Este é um texto construído com base num artigo de Jenni Middleton, publicado no Nursing Times.

O que é que te frustrou mais no último turno? O que é que te vai impedir de providenciar o nível de cuidado que desejarias dar aos teus doentes no próximo turno?

“Recentemente ocorreu um Congresso Anual de Enfermeiros Directores, em Manchester, durante 2 dias. Este é um evento onde os Enfermeiros Diretores se reúnem para discutir assuntos chave do momento e encontrar soluções para os desafios realmente difíceis que eles e as suas equipas têm de enfrentar.”

“Consegues imaginar qual foi o principal tópico de conversa - em cada uma das sessões individuais do programa independentemente do seu assunto? É a mesma resposta que tu provavelmente destes às duas primeiras perguntas colocadas no início deste artigo. A Falta de pessoal.”

“Enquanto se debate a implementação de inúmeros programas de saúde repletos de acrónimos e jargão técnico aquilo que realmente sabemos é que nenhum destes programa irá realmente funcionar se eles não forem implementados pelas equipas de enfermagem.”

“Não restou qualquer dúvida de que todos os enfermeiros directores que se encontravam no congresso estavam bastante preocupados com a forma como eles iriam conseguir enfermeiros suficientes para as suas enfermarias e cuidados de saúde primários.”

“As decisões tomadas pela tutela relacionadas com os recursos humanos e os seus níveis não são baseados na evidência nem tão pouco na segurança do doente. Elas são condicionadas directamente pelo dinheiro disponibilizado e isso toda a gente sabe.”

“Em 2017 ainda se tomam decisões acerca dos recursos humanos baseados no orçamento decidido pelo ministro das finanças em vez de dar atenção às necessidades ditadas pela procurar de cuidados pelos doentes.”

“Este assunto não se trata de chamar atenção sobre uma ou outra profissão. É sobre os cuidados aos doentes. Se o número de enfermeiros e outros profissionais diminui isso afectará negativamente os doentes, os seus resultados em saúde e a sua mortalidade.”

“Uma das enfermeiras presentes no congresso falou sobre as difíceis decisões que tem que tomar enquanto enfermeira directora. Ela afirmou: “Eu tenho 90 doentes no meu hospital que precisam de ajuda para se alimentar. Eu nunca tenho 90 enfermeiros em cada turno, portanto como é que eu faço para lhes entregar a comida a tempo? E o mesmo se passa com a administração de medicação. O que é que eu faço quando um doente tem de esperar uma hora para receber a sua medicação analgésica no pós-operatório?”

“Na realidade são os enfermeiros na linha da frente que tem de fazer face à agonia destas decisões e à agonia dos seus doentes. Mas são as decisões tomadas por órgãos de gestão que se encontram bem longe dos cuidados que prejudicam mais os doentes.”

“Talvez se fossem o Primeiro-Ministro, o Ministro das Finanças ou o Ministro da Saúde a administrar estas drogas fora de tempo, olhando para os doentes que estão à espera em camas molhadas porque não há tempo para mudar os lençóis e encarar os doentes com dor desnecessária, talvez assim eles considerassem olhar para os recursos humanos na saúde como uma prioridade.”

Como referi no inicio, o texto anterior é uma tradução de grande parte do artigo original. Mas a verdade que este artigo (do Reino Unido) contém não é muito diferente daquilo que se passa em Portugal.


E a Segurança do Doente. Como fica?
Fernando Fausto M. Barroso

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Segurança do Doente na Transfusão Sanguínea - SD266

Quais os principais aspectos que devemos considerar para garantir a segurança do doente antes da administração de sangue? + Fluxograma para Administração de Componentes Sanguíneos (disponível no final do artigo)
Diariamente são administrados nas nossas instituições de saúde centenas unidades de sangue. Apesar de comum, a segurança transfusional é algo que deve merecer a nossa máxima atenção e deve estar presente na nossa mente ao longo de todo o Ciclo Transfusional:
  • Prescrição médica: Na prescrição inicial devem constar pelo menos três elementos identificadores do doente (nome completo, data de nascimento e nº de processo clínico), indicação da transfusão, exames laboratoriais recentes que justifiquem o pedido de transfusão e quaisquer eventos adversos anteriores a esta nova solicitação.
  • Colheita de amostras:  O profissional que faz a colheita de amostra para estudo de compatibilidade (Enfermeiro ou Técnico de Diagnóstico e Terapêutica) deve garantir que o tubo de colheita possui uma etiqueta de identificação completa do doente (nome completo, data de nascimento e nº de processo clínico). As amostras deverão ser transportadas imediatamente ao Serviço de sangue acompanhadas do pedido de transfusão.
  • Selecção Pré- transfusional: Deve ser praticada por profissional qualificado com competência para identificar e resolver, se possível, os problemas que por ventura possam surgir na selecção da bolsa de sangue  a ser transfundida.
  • Dispensa:  A(s) bolsa(s) seleccionada(s) são enviadas, de acordo com a prescrição, para o Serviço onde o doente se encontra, transportadas em contentores adequados e devidamente identificados. É importante referir que as malas de transporte de sangue não podem ser utilizadas para armazenamento do mesmo – apenas são adequadas ao transporte interno entre o serviço de sangue e o serviço onde o doente se encontra, dentro da instituição de saúde.
  • Transfusão:  O profissional de Enfermagem que administra a unidade de sangue deve verificar:
    • A existência da prescrição;
    • A correcta identificação da unidade de sangue e da sua compatibilidade com a prescrição;
    • A correcta identificação do doente confirmando os dados existentes na etiqueta da unidade de sangue com os dados de identificação da pulseira do doente;
    • Verificação dos sinais vitais pré-transfusionais e da permeabilidade do acesso venosa
    • Administração de pré-medicação (se prescrita)
    • Apenas depois destes procedimentos é que a unidade de sangue deve ser preparada (perfurada), iniciando-se posteriormente a transfusão, mantendo uma vigilância constante a possíveis intercorrências/reacções adversas. É fundamental que o profissional que iniciou a administração do sangue permaneça junto do doente nos primeiros 15 minutos para observar possíveis reacções transfusionais graves que podem ocorrer durante este período. Após o término da transfusão são registados os sinais vitais pós transfusionais.
São inúmeros os factores contribuintes que contribuem para um aumento do risco para o doente.
De seguida partilho contigo um pequeno vídeo (de apenas 10 minutos) que merece a tua atenção.



Ao longo dos últimos anos tenho acompanhado vários incidentes relacionados com a administração de sangue (administração ao doente errado; identificação incorrecta de amostra para estudos de compatibilidade, preparação indevida da unidade e consequente desperdício do sangue, etc.)

Em consequência desse acompanhamento produzimos um Fluxograma para Administração de Componentes Sanguíneos com os principais aspectos que devemos ter em atenção e que agora partilhamos.

domingo, 3 de setembro de 2017

As ferramentas da Qualidade em Saúde e da Segurança do Doente são aplicáveis aos Cuidados de Saúde Primários? -SD265

Será que as ferramentas actuais relacionadas com a Qualidade em Saúde e a Segurança do Doente são aplicáveis aos Cuidados de Saúde Primários?

Esta é uma pergunta que têm surgido sistematicamente e que está relacionada com a aplicação dos princípios da qualidade em saúde, da segurança do doente ou da Avaliação do Risco aos Cuidados de Saúde Primários (CSP).

Falo várias vezes com colegas que trabalham nos CSP e quase todos referem que as ferramentas relacionadas com a segurança do doente e a qualidade em saúde não estão adaptadas aos seus locais de trabalho, ou que todos os exemplos disponíveis têm como origem nos cuidados hospitalares.

Eu considero que todos os princípios e ferramentas que existem se podem adaptar aos CSP respeitando a realidade de cada local de trabalho.

É possível atender aos mesmos problemas, às mesmas dificuldades aos mesmos desafios com ferramentas que estão actualmente disponíveis:
Com estas ferramentas é possível, em cada um dos locais onde são prestados cuidados de saúde, desenvolver um plano de qualidade com vista à segurança do doente e à melhoria da prestação de cuidados.

Considero que não é correcta a alegação de que os instrumentos disponíveis não são aplicáveis aos cuidados de saúde primários. Aquilo que tem efectivamente de ser feito é adaptar as perguntas, instrumentos e metodologias existentes a cada um dos diferentes contextos de trabalho.

Tem de realizar-se um esforço de aplicação das ferramentas existentes. Mas acima de tudo na documentação, aplicação e divulgação dessas experiências para que possam ser partilhadas com outros colegas do mesmo nível de cuidados.
Todos temos a responsabilidade de desenvolver esse esforço.

É imperioso documentar o que está a acontecer publicando artigos, histórias, pequenas informações  e tudo aquilo que seja possível com o objectivo da partilha.

Neste âmbito, o Blog Segurança do Doente estará sempre disponível para colaborar, publicando toda a informação relevante.


Pessoalmente, eu próprio tenho feito um esforço na divulgação de questões mais adaptadas aos CSP e irei continuar a fazê-lo.

Para isso, conto também com a vossa ajuda, com as vossas sugestões e perguntas.

Quais as ferramentas que utilizas no teu contexto de CSP? e como?

Que dificuldades encontras na sua aplicação?

Quais as ferramentas que gostavas de ver aqui analisadas numa óptica de CSP?

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

CHS realiza as suas 3as Jornadas de Enfermagem | SD264

O Centro Hospitalar de Setúbal vai realizar as suas 3ªs Jornadas de Enfermagem, cujo tema será “Uma só Enfermagem – Diferentes Perspetivas do Cuidar”, e que decorrerá nos próximos dias 19 e 20 de outubro de 2017, no Fórum Municipal Luísa Todi, em Setúbal.

Fica aqui o convite à tua participação.



Podes aceder ao site das Jornadas através do link abaixo, onde encontras o programa e toda a informação necessária para poderes participar.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Checklist Procedimentos de Segurança da ERS 2017 - SD263


A Entidade Reguladora da Saúde actualizou a sua  Checklist Procedimentos de Segurança destinada a integrar a avaliação da qualidade dos estabelecimentos hospitalares no âmbito da dimensão Segurança do Doente do Sistema Nacional de Avaliação em Saúde – SINAS@Hospitais.

Mesmo que o teu Hospital não esteja envolvido na avaliação SINAS@Hospitais, esta checklist pode ser utilizada para realizar uma "auditoria interna" aos procedimentos de segurança preconizados, e com isso identificar áreas a melhorar.


Fernando Barroso

sábado, 5 de agosto de 2017

Água quente ou fria? Qual deves usar para lavar as mãos? | SD262

Quando lavas as tuas mãos, que temperatura de água preferes? Quente ou fria?
E será que a tua escolha afecta a remoção de bactérias durante a higiene das mãos?
De acordo com um estudo realizado por investigadores da Rutgers University-New Brunswick a água fria é tão eficaz quanto a água quente a remover bactérias nocivas.

Para a realização deste estudo, os investigadores colocaram altos níveis de bactérias nocivas nas mãos de 21 participantes várias vezes, ao longo de um período de seis meses.

Os participantes lavaram então as mãos com água com temperaturas de água entre os 15 e os 38°C usando volumes de sabão de 0,5 ml, 1 ml ou 2 ml.

O estudo mostra que a temperatura da água - tão alta como 38ºC e tão baixa como 15ºC - não teve um efeito significativo na redução de bactérias durante a higiene das mãos. Além disso, os investigadores não encontraram diferença entre a quantidade de sabão usada para reduzir as bactérias.

No entanto, são necessárias pesquisas adicionais para determinar quanto e qual o tipo de sabão que mais afecta a remoção de bactérias das mãos.

Mas este estudo conclui ainda outro facto:

Uma lavagem de 30 segundos (20s de lavagem e 10s a enxaguar as mãos) com sabão normal produziu uma significativa redução na contagem média de colónias de bactérias em comparação com uma lavagem com uma duração de 15 segundos.

Os resultados de vários outros estudos indicaram que um tempo de lavagem mais longo pode proporcionar um maior benefício de redução microbiana.

Por outras palavras, vale mesmo a pena demorar um pouco mais a lavar as suas mãos. E isso sim, pode fazer a diferença.


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

5 Erros na Caminhada para a Segurança do Doente | SD261

Será que a tua Instituição comete estes erros na caminhada para a Segurança do Doente?

Apesar do movimento de segurança do doente ter alcançado grandes progressos desde o final da década de 1990, o sector da saúde desviou-se desse percurso durante a caminhada.

No 19º Congresso Anual de Segurança do Doente do National Patient Safety Foundation de 2017, o Dr. Berwick (O ex-administrador da CMS e actual membro do Institute for Healthcare Improvement) falou para uma multidão. No seu discurso, ele apontou alguns erros na abordagem que a comunidade de segurança do doente cometeu ao longo de sua caminhada de melhoria contínua.

Cinco desses erros são destacados abaixo.

1. O dinheiro tornou-se mais importante do que a segurança.
O Dr. Berwick observou que a maioria dos membros dos conselhos dos hospitais e outros executivos estão cada vez mais preocupados com a redução de custos e em “não ficar no vermelho” do que com a segurança do doente.
Na verdade, a “qualidade” e a “segurança” nem sequer alcançaram as cinco principais preocupações dos executivos hospitalares que participaram no Questionário Anual aos Conselhos de Administração da área da Saúde 2017.

2. Acreditar na ilusão de que o sector da saúde alcançou a segurança do doente.
"Nunca teremos terminado", afirmou o Dr. Berwick sobre o movimento de segurança do doente. Ele chamou ao conceito de considerar a melhoria da segurança como um simples exercício de verificação de uma checklist um ponto final "letal" para futuros doentes.

3. Pensar que os incentivos irão melhorar a segurança.
Quase todos os profissionais de saúde vêm trabalhar todos os dias querendo fazer bem, disse o Dr. Berwick. Isso torna ineficaz a teoria do incentivo à melhoria da segurança do doente; Como os incentivos provêm da ideia de que os trabalhadores querem fazer algo errado e precisam de um incentivo para fazer o que é certo. "Até que ... desistamos [da] orientação pelo incentivo à segurança, não faremos progressos".

4. Demasiados indicadores.
A “Saúde” está submersa em indicadores" afirmou o Dr. Berwick. "Nós temos que seguir uma dieta". Ele enfatizou a importância de identificar os indicadores mais críticos e medir apenas aqueles, e não mais.

5. Separação dos movimentos de qualidade e segurança.
Em algum momento desta caminhada, a qualidade e a segurança foram colocadas em dimensões separadas – ao que o Dr. Berwick chamou de "um erro". Ele aplaudiu a fusão entre o Institute for Healthcare Improvement e o NPSF como forma de reunir os dois movimentos. "A fragmentação é um erro. Não temos recursos para desperdiçar em tribalismos", afirmou.


A tua Instituição comete estes erros na caminhada para a Segurança do Doente?
Como podemos “retomar o caminho”?

quinta-feira, 20 de julho de 2017

A utilização de Smartphone no Bloco Operatório compromete a Segurança do Doente? | SD260

Manny Alvarez é médico, Professor Adjunto de Obstetrícia e Ginecologia na Faculdade de Medicina da Universidade de Nova York. Ele ponderou os prós e contras do uso do smartphone na sala de operações num recente editorial para a Fox News Health.

Aqui estão cinco pensamentos sobre este assunto do Dr. Alvarez.
  1. Os smartphones permitem que os médicos no bloco operatório acedam a aplicativos médicos úteis, procure informações críticas ou solicitem ajuda rápida, se necessário. No entanto, de acordo com o Dr. Alvarez, os hospitais não podem monitorizar adequadamente os médicos para garantir que estes estejam a usar os seus telefones apenas para fins de trabalho.
  2. Os médicos e outros profissionais de saúde que usam os seus smartphones no bloco operatório para simplesmente "matar o tempo" prejudicam a segurança do doente, afirma o Dr. Alvarez.
  3. Ele também observou que os smartphones, que muitas vezes transportam bactérias, quando usados no bloco operatório aumentam o risco de infecção do doente.
  4. Os médicos usam o smartphone para aceder e compartilhar informações privadas do doente. Um relatório de 2016 da Skycure descobriu que 14% dos médicos armazenam dados do doente nos seus smartphones sem uma password e mais de 60% dos médicos transferem a informação do doente por meio de mensagem de texto (SMS).
  5. 5. "Embora os especialistas não consigam dar um número exacto de erros clínicos relacionados com os smartphones, estes dispositivos claramente aumentam o risco da segurança do doente", concluiu o Dr. Alvarez. "Os médicos (e outro pessoal clínico) devem fazer tudo o que estiver ao seu alcance para se manterem alerta e diminuir as infecções durante a cirurgia. Os Hospitais e o pessoal clínico devem actuar em conjunto para implementar uma estratégia e aplicá-la. Afinal, é a segurança do doente que está em jogo".
Será que estamos preparados para "limitar" o uso do smartphone em áreas sensíveis dos nossos Serviços de saúde?

E não só em "áreas sensíveis", mas também quando se está a cuidar de um doente, por exemplo, durante um transporte interno (é comum encontrar profissionais a empurrar uma cama ao mesmo tempo que consultam o seu smartphone).

Que mensagem estamos a passar ao nosso doente?

Estamos verdadeiramente atentos ao que se está a passar com ele? 

Reconhecemos estas questões como um risco potencial para a segurança do doente? Provavelmente não.

Fernando Barroso

sábado, 15 de julho de 2017

O Plano de Acção da União Europeia contra a Resistência Antimicrobiana - SD259

Clica na imagem para aceder ao vídeo EM PORTUGUÊS
Os antibióticos são recursos preciosos usados todos os dias para ajudar a curar doenças comuns e prevenir infecções durante a cirurgia.
Infelizmente, devido ao uso excessivo, as bactérias tornam-se resistentes, levando à resistência antimicrobiana. Como resultado, os antibióticos tornam-se menos eficazes e, em última análise, inúteis.

A resistência antimicrobiana apresenta um grave fardo social e económico. Estima-se que seja responsável por 25 mil mortes por ano apenas na UE e custa anualmente 1,5 mil milhões de euros.

A UE está a liderar o caminho com um Plano de Acção que apoia os Estados Membros e promove a colaboração em todos os sectores e a sociedade para combater a resistência antimicrobiana.

sábado, 8 de julho de 2017

2 Mudanças que os hospitais podem fazer para lidarem melhor com doentes idosos no Serviço de Urgência – SD258

À medida que a geração dos “baby boomer” envelhece, os hospitais recebem cada vez mais doentes idosos nos seus Serviços de Urgência (SU) - de acordo com os dados CDC, 1 em cada 6 visitas ao SU foram feitas por uma pessoa idosa em 2013.

"É um lugar terrível para se estar se você é mais velho, porque os idosos são mais propensos a infecções e delírios. Além disso, as tácticas agressivas geralmente usadas no SU não podem realmente prolongar as suas vidas.” Afirma Corita Grudzen, médica especializada em emergência médica do NYU Langone Medical Center.

Por causa da grande quantidade de pessoas mais velhas que chegam aos SU em todo o país (EUA), os hospitais estão a começar a adaptar os seus Serviços para se tornarem mais “amigáveis” ​​para os idosos.

Estas são duas intervenções que os hospitais implementaram para tratar melhor os doentes idosos no SU.

1. Triagem para consultas de cuidados paliativos.
Uma ferramenta de triagem chamada P-CaRES é utilizada pelos clínicos respondendo a um conjunto simples de perguntas. Essas perguntas permitem assinalar os doentes que podem beneficiar de uma consulta de cuidados paliativos. "Ter essa conversa no SU, que é o ponto de entrada para o hospital, é vital. Esta abordagem pode ajudar a reduzir o sofrimento e colocar os doentes onde eles podem receber um atendimento melhor e mais adequado”, afirma Kalie Dove-Maguire, uma médica que usa esta ferramenta no UCSF Medical Center.

2. Criar uma sala de emergência geriátrica separada.
Já muitos hospitais implementaram salas de urgência dedicadas exclusivamente a doentes geriátricos. Estas salas estão geralmente dotadas com clínicos especialmente treinados para diagnosticar e cuidar de pessoas mais velhas. Embora estas salas geriátricas variem de hospital para hospital, o American College of Emergency Physicians estabeleceu normas de orientação (Geriatric Emergency DepartmentGuidelines) que oferecem orientações para o pessoal, equipamentos, educação, políticas e procedimentos para os Serviços de Urgência.


Estas são apenas duas formas de aumentar a Segurança do Doente nos Serviços de Urgência. Temos muito que aprender.

sábado, 10 de junho de 2017

O que acontece quando uma UCIN implementa uma zona “Livre de apertos-de-mão”? - SD257

Numa tentativa de reprimir a propagação de microorganismos, dois Centros Médicos da UCLA instituíram as chamadas “zonas livres de apertos-de-mãos” nas suas unidades de cuidados intensivos neonatais (UCIN) e publicaram os resultados sobre os efeitos dessa mudança no American Journal of Infection Control.

Pesquisas anteriores demonstraram que o “aperto-de-mão” é uma importante fonte de transferência de microorganismos – por exemplo, um estudo de 2014 publicado no American Journal of Infection Control, refere que um “aperto-de-mão” transfere quase o dobro das bactérias do que um “high-five”.

Mark Sklansky, um dos autores do estudo mais recente refere que "Estamos a tentar fazer tudo, excepto a coisa mais óbvia e mais fácil de fazer, na minha opinião, o que é parar de apertar as mãos".

Investigadores da UCLA testaram a viabilidade de estabelecer zonas livres de apertos-de-mão implementando-as em duas Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais (UCIN).

Eles afixaram cartazes por toda a UCIN, explicando a nova política, distribuíram materiais educativos impressos pelos profissionais e familiares dos doentes e encorajaram outras formas de saudações, como acenos, sorrisos ou “toques de punho”. Adicionalmente, eles inquiriram os profissionais e os familiares dos doentes antes e depois da implementação das zonas livres de apertos-de-mão para avaliar as reacções aquela medida e se o número de apertos-de-mão realmente diminuía.

A pesquisa revelou que as famílias dos doentes preferiam uma saudação envolvendo contacto visual, um sorriso, ser abordada pelo seu nome próprio e ser questionada sobre o seu bem-estar em vez de uma saudação que envolvesse um aperto de mão.

No entanto, mesmo após a implementação das zonas, cerca de um terço dos profissionais das unidades ainda não apoiavam as zonas livres de aperto de mão. Um profissional comentou: "Se eu já fiz o meu trabalho, o risco de espalhar microorganismos é mínimo... lavar as mãos é a chave, não o aperto de mão". Outros acreditavam que não apertar as mãos não teria impacto nas taxas de infecção, e que não corresponder a um “aperto de mão” de um pai poderia ser entendido como uma atitude grosseira.

A maioria dos que apoiavam uma política sem apertos de mão eram enfermeiros/as e alunos da faculdade de medicina, enquanto os médicos do sexo masculino eram mais resistentes à mudança.

Embora nem todos os profissionais tenham apoiado a experiência da zona livre de apertos de mão, o número de vezes que este tipo de cumprimento ocorria nas duas UCIN diminuiu como resultado desta experiência.
Este estudo identificou os grupos que podem mostrar resistência ao estabelecimento de “zonas livres de apertos-de-mão” e demonstrou ser possível implementar essas zonas, no entanto, não examinou se as infecções diminuíram como resultado desse programa. No entanto, o Dr. Sklansky "espera responder a essa pergunta num estudo futuro".

Cumprimentar alguém com um aperto de mão é um gesto “automático” e difícil de eliminar. Mas, quem nunca ficou com a sensação de ficar com as suas mãos sujas após cumprimentar alguém?


Fica aqui mais um exemplo de uma estratégia para diminuir a “transmissão da infecção” nos nossos serviços de saúde.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Citações inspiradoras dirigidas a Médicos e Enfermeiros nos discursos de fim de curso em 2017 - SD256

Os discursos realizados no final de um curso de Enfermagem ou de Medicina devem inspirar optimismo e motivar a mudança entre os novos médicos e enfermeiros - mas estes discursos também podem motivar aqueles que já estão na linha de frente dos cuidados de saúde à vários anos.

Estas são cinco citações notáveis de discursos de fim de curso proferidos nesta primavera.

1. "A alegria mais doce que qualquer um pode ter é a oportunidade, de uma forma amorosa, de se aproximar e ajudar o outro. É isto que a sua profissão significa. É isto que define a medicina. Que possa ser sempre assim," disse Francis Collins, MD, PhD, director of the National Institutes of Health, at the University of Michigan Medical School commencement in Ann Arbor May 12.

2. "As boas intenções não são suficientes, mas existe uma qualidade essencial para o sucesso na medicina: humildade," disse Tom Frieden, MD, former director of the CDC at the May 24 commencement for Albert Einstein College of Medicine in New York City. "Um interno perigoso não é o interno que não sabe nada. É o interno que não sabe que não sabe nada".
Ele acrescentou ainda: "Mas, a humildade não significa falta de confiança. A humildade não significa insegurança. É necessária confiança para o cirurgião cortar, o internista para prescrever, o investigador para experimentar, o especialista em prevenção para implementar. Todos compartilhamos um compromisso para curar, para agir apesar da inevitabilidade da certeza incompleta ".

3. "Quando assistimos a um filme e um momento importante está prestes a acontecer, como sabemos? Porque há um close-up e a música muda. Bem, na vida, não há close-up e não há mudança de música," disse Jon LaPook, MD, chief medical correspondent for CBS News, at the Quinnipiac University Frank H. Netter, MD, School of Medicine commencement May 14. "Vais ter de ser tu a “tocar” a banda sonora dentro da tua cabeça. Vais ter de ser tu a controlar o botão de zoom. Vais ter de agarrar esse momento quando o doente - consciente ou inconscientemente – te disser qual é o seu problema. Vais precisar que ele se abra contigo como um ser humano para outro. E ele não fará isso a menos que ele saiba que está a falar com um ser humano".

4. "A tua obrigação a partir de hoje é defender os vulneráveis e os sem voz. E se isso significar envolver-se em controvérsias, então faça-o de qualquer maneira," disse Vivek Murthy, MD, the 19th Surgeon General of the United States, at the May 15 UCSF School of Medicine commencement. "Se isso significar assumir o risco de ser rotulado como político, faça-o de qualquer maneira porque só vale a pena ter princípios se você tiver a coragem de agir de acordo com esses princípios".

5. "Você precisa tomar o seu lugar na mesa. Você é o futuro dos cuidados de saúde," disse Sylvia Trent-Adams, PhD, RN, at the UTHealth School of Nursing commencement May 9 in Houston. "Eu gostaria de poder dizer-lhe que a estrada será fácil. Haverá momentos em que você vai questionar a sua competência. Mas, você não estaria aqui se não fosse feito do material certo".

Que estes discursos sejam inspiradores para ti também e que te ajudem a perseverar na Segurança do Doente

sábado, 3 de junho de 2017

Kit de Ferramentas Essenciais para a Melhoria da Qualidade - IHI - SD255


O Institutefor Healthcare Improvement divulgou recentemente as suas 10 ferramentas mais populares num KIT DE FERRAMENTAS DE MELHORIA DA QUALIDADE. Estas são ferramentas fundamentais para um correta planeamento e análise em Segurança do Doente. 

Este kit inclui as seguintes ferramentas (em inglês)
  • Cause and Effect Diagram
  • Driver Diagram
  • Failure Modes and Effects Analysis (FMEA)
  • Flowchart
  • Histogram
  • Pareto Diagram
  • PDSA Worksheet
  • Project Planning Form
  • Run Chart & Control Chart
  • Scatter Diagram


Podes fazer o download grátis do KIT DE FERRAMENTAS DE MELHORIA DA QUALIDADE aqui (tens de estar registado no IHI).

domingo, 14 de maio de 2017

Violência contra Profissionais nas Instituições de Saúde - Papel do Gestor de Risco - SD254

Este artigo é o resultado de uma troca de emails com um Gestor de Risco de uma instituição. Com a devida autorização do colega, reproduzo aqui essa “conversa” - um conjunto de perguntas e respostas – porque entendemos os dois que a mesma pode ser útil para outros Gestores de Risco. E como sabemos, a Segurança dos Profissionais contribui para a Segurança do Doente.
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Qual o meu papel como Gestora Local face às Notificações de Incidentes Relacionados com a Violência contra Profissionais?
Tendo em consideração as alterações realizadas pela DGS no notific@, eu diria que o Gestor Local (GL) deve analisar e tratar estes incidentes com a mesma atenção e cuidado que o faz para os incidentes que envolvem os doentes.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Sou Enfermeiro por causa de ti. Obrigado - SD253

Hoje, Dia Internacional do Enfermeiro quero deixar aqui o meu agradecimento e homenagem a todos quantos contribuíram para que eu seja hoje o Enfermeiro que sou. Sou Enfermeiro, mas não o consegui sozinho. 

Sou Hoje o Enfermeiro que sou em primeiro lugar pelo exemplo.
A minha mãe, Enfermeira Mileu,  foi o meu 1.º exemplo. Humanidade, humildade, serviço, rigor e profissionalismo. Era impossível não ver ou ouvir esse exemplo.

Mas foram muito os Enfermeiros e Enfermeiras no meu caminho.
Permitam-me referir aqueles de que me lembro pelo nome.